24.2.11

Carnaval da Tucuruvi

Tucuruvi presta homenagens aos nordestinos


SÃO PAULO - Como tema “Nordestinos em São Paulo”, o Grêmio Recreativo Acadêmicos do Samba do Tucuruvi levará à passarela do samba o enredo “Oxente, o que seria da gente sem essa gente? São Paulo, a capital do nordeste”. “Quisemos colocar o nordestino para agradecer a cidade de São Paulo pelos benefícios obtidos graças a esta grande metrópole. Ao mesmo tempo, é um agradecimento da capital paulista aos nordestinos pela construção e enriquecimento da cidade”, explica o carnavalesco Wagner Santos.

Carnaval 2011

A escola será a terceira a passar no Anhembi na primeira noite de desfiles, aproximadamente à 1h30 da madrugada, com seus 3 mil componentes, cinco carros alegóricos e 23alas. O papel do carnavalesco é deixar todos esses elementos em harmonia. “É minha missão desenvolver todo o projeto, com exceção do enredo, que é o presidente que escolhe. O carnavalesco é o grande sonhador da escola: ele é contratado para criar e sonhar”, revela Wagner, que diz

que o maior desafio é chegar na avenida com a agremiação completa, ou seja, com todos os seus componentes no dia do desfile.

Esse ano, a Tucuruvi aposta em carros cenográficos para sua passagem no Anhembi. “Pretendemos apresentar inovações principalmente nos carros alegóricos, em termos de materiais. Eles estão conversando muito bem com o contexto do enredo”, conta.

O carro abre-alas, por exemplo, é intitulado “A triste partida em busca do Eldorado”, para representar a chegada do nordestino à grande metrópole e o sonho de Eldorado. “Mas ele descobre que na realidade tem que batalhar muito para vencer”, explica Wagner.

O segundo carro, “Tradições: Fé e Esperança”, é um encontro do sacro com o profano. Em seguida, o carro “Sabor de Minha Terra”, com a culinária da cidade de São Paulo. O quarto carro, “Danado de Bom”, representa o forró, que esquenta a noite paulistana. “Hoje, em todos os lugares tem sempre um forrozinho para alegrar”, brinca o carnavalesco. O último carro a entrar na passarela do samba é um tributo ao trabalhador nordestino, uma homenagem ao orgulho de ser brasileiro e uma declaração de amor à São Paulo.

Além disso, a festa será abrilhantada pela rainha de bateria Valéria de Paula e pela madrinha Sheila Mello. “Todos os anos, é escolhida uma menina da comunidade como rainha e a madrinha é uma convidada. Na minha concepção, a comunidade faz o grande espetáculo, e esse é o momento deles se transformarem em reis e rainhas. Esses são meus verdadeiros artistas”, completa Wagner.

Investimentos

Para a preparação do carnaval deste ano, ele explica que os preparativos se iniciaram em abril do ano passado, com a escolha do tema. Em seguida, começaram a desenvolver o assunto para iniciar o trabalho pesado. Em meados de julho, uma equipe de Parintins veio a São Paulo para executar a parte de marcenaria, escultura e estrutura, e em setembro começou a parte de decoração. Isso tudo gera gastos para a escola.

Segundo Wagner, para fazer um carnaval de porte médio bom, os gastos giram em torno de R$ 1,6 milhões. Para fazer um carnaval grande, de porte médio, o valor aumenta para R$ 2 a R$ 2,5 milhões. Na opinião de Wagner, falta investimento principalmente na área de turismo. “São Paulo poderia aproveitar melhor a data, deveria ter um pedaço do carnaval exposto o ano inteiro. Deveriam criar o museu do carnaval, assim cada escola teria um pedaço exposto ao público durante todo o ano. Isso iria gerar dinheiro, pois as pessoas pagariam para ver esse espetáculo. Além disso, geraria muitos empregos e oportunidades.”

História

A história da Acadêmicos do Tucuruvi começa nos anos 70, quando um grupo de amigos formado por José Leandro, Oswaldo de Salva, Tininho e outros companheiros que saiam nas ruas do Tucuruvi para fazer folia no carnaval. A farra ganhou tantos adeptos, que logo se tornou um Bloco estruturado, que posteriormente, no dia 1º de fevereiro de 1976, se tornou uma Escola de Samba.

O símbolo escolhido para representar a escola foi um gafanhoto, como uma forma de prestar uma homenagem à agremiação, pois Tucuruvi em tupi-guarani significa gafanhotos verdes. As cores iniciais eram preto e amarelo, mas no começo da década de 80 passaram a ser o vermelho, amarelo, azul e branco.

Pouco tempo depois, a escola passou a fazer parte do grupo especial e o samba enredo“Brasil em Aquarela” marcou a estreia no grande carnaval paulistano. Como a maioria das escolas, a Tucuruvi teve seus altos e baixos, mas desde o carnaval de 1998 a escola mantém-se entre as grandes e integra o grupo especial.

Homenagem

Dentre os milhares decomponentes que desfilam pela agremiação, destaque para Roberto Amaral, que começou sua paixão pela Tucuruvi ainda jovem e se dedicou à agremiação por mais de 30 anos. Falecido no ano passado, Amaral será lembrado com carinho pelos amantes da Tucuruvi.

Alessandra Gardezani
Fonte:www.panoramabrasil.com.br  

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