17.2.11

Indígenas na universidade

Fonte: Cimi - Conselho Indigenista Missionário
Link: http://www.cimi.org.br/



Clóvis Antônio Brighenti

Cento e vinte indígenas dos povos Guarani, Kaingang e Xokleng, iniciaram no último dia 14 de fevereiro as aulas do curso de Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).  O curso é específico e diferenciado para atender os povos indígenas da região meridional do Brasil, tendo como eixo norteador Territórios Indígenas: Questão Fundiária e Ambiental no Bioma Mata Atlântica.
A definição desse eixo tem a ver com as demandas atuais dos povos indígenas, especialmente a regularização fundiária e o debate em torno da demarcação de suas terras tradicionais.  Essa questão tem inclusive, gerado violências contra as comunidades que lutam para recuperar os territórios tradicionalmente ocupados.  A outra questão que demanda muita preocupação dos povos indígenas é o aspecto ambiental, que incide sobre a necessidade de repensar paradigmas, como desenvolvimento e progresso, que contribuíram com a destruição do entorno das terras indígenas e estão provocando o aquecimento global.  Repensar a possibilidade de outras referências para o meio ambiente exige redimensionar saberes e práticas e aprofundar temas como o Bem Viver, que vem sendo bastante debatido entre os povos indígenas.
Os 120 alunos estão agrupados em três turmas, sendo 40 Guarani, 40 Kaingang e 40 Xokleng.  Serão 3.348 hora/aula distribuídas em quatro anos (8 semestres - 16 etapas presenciais).  O Curso possui regime presencial especial, em etapas concentradas, com base na Pedagogia da Alternância: tempo-universidade e tempo-comunidade.  Parte das aulas presenciais também será oferecida nas próprias aldeias: ao invés dos alunos se deslocaram para a universidade os professores é que irão para as aldeias, possibilitando o mínio de ausência de suas comunidades.
Durante a solenidade de abertura das aulas, no dia 14 de fevereiro, o indígena Kaingang Getúlio Narciso lembrou que precisou 500 anos de negação, para que finalmente as universidades começassem a pensar os indígenas enquanto sujeitos.  Já Elisete Antunes, representando os Guarani afirmou que o curso simboliza mais uma conquista dos povos indígenas.
Os estudantes poderão escolher entre duas terminalidades: Licenciatura da Infância, o que os habilitará para a docência infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental das escolas indígenas, e complementar a esta, o cursista escolherá se especializar em um dos três módulos específicos oferecidos pelo curso – das Linguagens, em Humanidades e do Conhecimento Ambiental, que os habilitará para a docência dos anos finais do ensino fundamental e para o ensino médio.
Entre as disciplinas oferecidas estão: Laboratórios de Língua Guarani, Kaingang e Xokleng; Língua Portuguesa; Mitologias Guarani, Kaingang e Xokleng; História Indígena Pré e Pós-Colonial; e Tecnologias de Informação e Comunicação e Populações Indígenas.
Licenciatura
O curso foi gestado ao longo de quatro anos pela Comissão Interinstitucional Para Educação Superior Indígena (Ciesi), formada por representantes do poder público como a UFSC, a Secretaria de Estado da Educação, e instituições não-governamentais, como o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o Conselho de Missões Entre Povos Índios (Comin) e a Comissão de Apoio aos Povos Indígenas (Capi), além da presença indígena durante sua formulação.
A discussão do curso teve início com as políticas de ações afirmativas, quando os integrantes da Ciesi perceberam que as cotas nas universidades não atendiam as demandas das comunidades indígenas e pediram a criação de cursos específicos para indígenas.
Para mais informações acesse a página do curso www.licenciaturaindigena.ufsc.br.

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