31.8.12

As polêmicas trocas de vocalistas

Rafael Sartori
Bandas que atravessaram o tempo sem precisar trocar alguns de seus integrantes são exceções. Quando falamos de grandes bandas de heavy metal, no entanto, qualquer anúncio nesse sentido sempre causa polêmica. Afinal, boa parte dos fãs do gênero não é lá muito chegada a mudanças. Quando quem sai (ou é expulso) é o vocalista então, a discussão vai ainda longe.

Mas não é exagero dos fãs. Afinal, não dá para negar que um vocalista novo é capaz de dar um direcionamento bem diferente para a banda em questão - isso quando não foi a banda que promoveu a mudança justamente por querer seguir outros caminhos.

Da esquerda para a direita: Joey Belladona, Michael Kiske, Andi Deris, Paul Di' Anno e Bruce Dickinson / Foto: Montagem

Felizmente, são poucos os casos em que essa transformação é negativa. O Iron Maiden, por exemplo, deixou para trás a agressividade de Paul Di’Anno e investiu tudo nas notas agudas e na melodia de Bruce Dickinson. Foi uma mudança e tanto, mas aprovada pela maioria esmagadora. Já a saída de Bruce e a entrada de Blaze, muito anos depois, foi um claro equívoco.

O AC/DC, por sua vez, foi obrigado arranjar um novo vocalista após a morte precoce de Bon Scott. Ainda que muita gente sinta saudade do jeito despojado e irreverente do músico, foi com a entrada de Brian Johnson que os australianos ganharam o mundo.

Outra substituição polêmica, uma vez que o dono do posto também era carismático e contava com o apoio dos fãs, foi a entrada de John Bush no lugar de Joey Belladonna, no Anthrax. Particularmente, gosto mais de Bush e considero o álbum “Stomp 442” (1995) um dos melhores e mais injustiçados discos de metal de todos os tempos. De qualquer modo, Belladonna é novamente o dono do posto.

O Danger Danger também tem duas fases bem diferentes, uma mais “farofa” com Ted Poley e outra um pouco mais nervosinha com Paul Laine. Guardadas as devidas proporções, foi como a troca do tenor Michael Kiske pelo rouco Andi Deris no Helloween.

Alguns casos, porém, são praticamente unânimes. A entrada de novos vocalistas deu um ‘upgrade’ considerável, por exemplo, na carreira de grupos como Stratovarius, Iced Earth e Amorphis. No caso do primeiro, Timo Tolkki decidiu apenas tocar guitarra e deu a oportunidade para que Timo Kotipelto se tornasse um dos maiores nomes do metal melódico. No segundo, o poderoso Matthew Barlow mostrou o quanto Gene Adam e John Greely atrasavam a banda. Já o Amorphis até que foi bastante longe e gravou excelentes discos com Pasi Koskinen, mas Tomi Joutsen está tão à frente da maioria que fica difícil fazer qualquer comparação.

Infelizmente, substituir o ‘frontman’ não foi uma boa coisa para as bandas brasileiras de metal. Desde que Max Cavalera e Andre Matos saíram, o Sepultura e o Angra nunca mais foram os mesmos. Embora tenham conseguido se manter por bastante tempo e Andreas Kisser, em especial, mereça todo o nosso respeito, a qualidade caiu.

E quem gosta de debater o assunto pode gastar tranquilamente algumas horas só com o Black Sabbath. Afinal, só mesmo Tony Iommi consegue se manter na estrada por tanto tempo e alternar na linha de frente (uns mais tempo que outros) nomes como Ozzy Osbourne, Ronnie James Dio, Ian Gillan, Glenn Hughes, Ray Gillen e Tony Martin. Aí fica difícil.
Fonte:http://www.territoriodamusica.com

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