14.8.12

Festival de Locarno traz cerca de 40 filmes em estreia mundial

Em entrevista, o diretor do festival internacional de cinema, Oliver Père, fala da participação brasileira e latino-americana
Rui Martins,
de Locarno (Suíça)
O Brasil não está na competição internacional do Festival de Locarno, porém a participação latino-americana é importante. O filme guatemalteco Polvo, de Júlio Hernandez Cordón, e o filme mexicano Los Mejores Temas, de Nicolás Pereda, competem entre os 19 selecionados.
O Brasil está concorrendo na mostra de novos diretores Cineastas do Presente com o filme Boa Sorte, Meu Amor, de Daniel Aragão, junto com o filme do mexicano Pedro González Rubio, Inori, feito e produzido no Japão.
O diretor da 65ª edição do Festival Internacional de Cinema de Locarno, Oliver Père, fala da participação brasileira e latino-americana em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato. O festival começa nesta quarta-feira (1º), na Suíça, e vai até o dia 11.
Qual a participação brasileira neste Festival de Locarno?
Oliver Père: Este ano temos um filme brasileiro que descobrimos e que gosto muito. Está na mostra Cineastas do Presente. É Boa Sorte, Meu Amor, de Daniel Aragão. Existem diversos cineastas brasileiros da nova geração que muito nos interessam, tanto que no júri há a presença do diretor Kleber Mendonça Filho, que conheci há alguns anos. Mostrei seu primeiro curta-metragem quando dirigia a Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes. Kleber fez um longa-metragem que não está aqui em Locarno, mas que gostei muito e, por isso, o convidei para o júri de curtas-metragens. As coisas que se passam hoje no Recife ou no Rio são muito interessantes para nós.
Vemos que o cinema português está competição internacional...
E trata-se de um bom filme, com um cineasta que muito aprecio, João Pedro Rodrigues, que dirigiu com João Rui Guerra da Mata A Última Vez que Vi Macau. Um filme impressionante, mesmo em relação ao filme precedente de João Pedro, pois mistura o fantástico, o inquérito policial, o diário íntimo e o documentário. Estamos felizes por poder mostrá-lo em estreia mundial aqui em Locarno. Além disso, existem curtas-metragens portugueses, um do próprio João Rui, outro de João Nicolau. A cada ano o cinema português tem coisas bonitas e importantes para mostrar entre os filmes do cinema europeu.
E quanto à participação do cinema latino-americano?
Há um filme da Guatemala, Polvo, o que é coisa rara, e o filme de Nicolás Pereda, Los Mejores Temas, que é muito bom. Não é nenhum segredo que os amantes do cinema sonham com os filmes latino-americanos e estamos contentes de poder ter aqui conosco alguns deles. Do México, temos um filme feito no Japão por um dos meus cineastas preferidos: Pedro González-Rubio. Uma mistura de países e de culturas próprios do Festival de Locarno.
Como viu, no ano passado, a declaração do produtor português Paulo Branco, presidente do Júri, chamando um filme de fascista?
Bom, uma atitude dessas era de se esperar de um homem como Paulo Branco, pois nele há muito de entusiasmo e de veemência. Evidentemente, cada pessoa tem o direito de se expressar, e Paulo foi suficientemente grande para explicar essa sua posição e continuar sua polêmica nos jornais. Isso não causou nenhum prejuízo ao filme de Melgar, Voo Especial, que conheceu uma brilhante carreira internacional e ganhou prêmios em todo o mundo.
Não interferi nesse caso, porque os membros do júri são livres para se expressar e mesmo de usar palavras violentas. A seguir, o cineasta Melgar e a equipe do filme apresentaram argumentos, que penso serem justos. Quanto a mim, acho que o fato do filme estar na competição, era seu lugar certo. A controvérsia, a polêmica e a crítica fazem parte do jogo num Festival.
Oliver Père - Foto: Reprodução
Como pode definir o formato do Festival de Locarno?
Nos anos precedentes, e no passado principalmente, chegamos a uma forma e a um estilo de Festival bastante satisfatórios, tanto que este ano decidimos manter o formato, é só o conteúdo que varia. Neste ano, por exemplo, há mais filmes americanos que franceses, mais filmes suíço-alemães que suíço-franceses, tudo depende dos filmes que nos são mostrados. Depois procuramos encontrar um equilíbrio entre filmes de autor, filmes de descoberta, de cineastas confirmados e a presença de atores conhecidos e realizadores. Com a preocupação de incorporar surpresas, prazer e emoção aos espectadores.
Foi difícil encontrar bons filmes para Locarno ?
Não, a seleção deste ano é muito boa e temos cerca de 40 filmes em estreia mundial, o que mostra que Locarno é onde se pode descobrir, em primeira mão, filmes do mundo inteiro. Locarno pode ser o ponto de partida bastante favorável para a carreira de um filme.
Ainda este ano, existem filmes mostrados em Locarno que continuam viajando pelo mundo e recebendo prêmios. Esperamos que os filmes deste ano também façam carreira, temos nossos prognósticos, os filmes nos quais acreditamos, porém pode acontecer serem outros, vamos ver. Na Piazza Grande, estamos curiosos por ver a reação do público diante de certos filmes. No ano passado, a surpresa foi o grande sucesso público do filme canadense Monsieur Lazhar.
Fonte:http://www.brasildefato.com.br

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