14.8.12

Turismo - Fernando de Noronha



article image
Fernando de Noronha tem 10km de comprimento de largura média de 1,7km (Reprodução/Internet)

Turismo

Fernando de Noronha – I

Relatos de Fernando Magalhães sobre o primeiro dia de viagem ao arquipélago de Fernando de Noronha

por Fernando Magalhães
A Ilha de Fernando de Noronha, descoberta em 1501 por uma expedição do reino de Portugal, foi assim chamada por ter como primeiro proprietário da capitania hereditária – após doação de D. Manuel I em 1504 – Fernão de Noronha.
Leia também: Fernando de Noronha – II
Leia também: Fernando de Noronha – III
O arquipélago, nas divisões territoriais do Brasil datadas 1926 e 1937, é registrado como distrito de Recife. Porém, em 9 de fevereiro de 1942, um decreto-lei federal desmembrou a ilha do estado de Pernambuco, que se tornou Território Federal de Fernando de Noronha. Apenas em 5 de outubro de 1988, a ilha foi reincorporada ao estado de origem.
Antes de se tornar famosa pelo turismo dos dias atuais, o arquipélago foi local de detenção de condenados que cumpriam pena no presídio que funcionou de 1737 a 1942 na ilha, sendo exclusivo para presos políticos do Estado Novo a partir do ano de 1938.

Atualmente, Fernando de Noronha pertence ao estado de Pernambuco (Reprodução/Internet)
Atualmente, há discussão sobre a qual estado Fernando de Noronha deveria pertencer. Geograficamente, a ilha está mais próxima do Rio Grande do Norte. De acordo com deputado Ismael Wanderley (PMDB-RN), na época da criação da constituição de 1988, uma emenda tentava anexar o arquipélago ao Rio Grande do Norte, porém, sem influência suficiente e sem um setor de turismo forte, a emenda não foi aprovada e Fernando de Noronha continuou pertencendo ao estado de Pernambuco.
A ilha tem 10km de comprimento de largura média de 1,7km. Tem uma estação chuvosa que vai de abril a agosto, e nessa época as árvores ganham folhas e ficam verdes. Depois aos poucos as folhas caem e fica tudo parecendo meio morto. É curiosa a história do primeiro navegante europeu Américo Vespúcio que mandou carta para a Europa descrevendo o lindo lugar que descobrira. O próximo viajante, que chegou na estação seca achou que estava no lugar errado.
Chegada
Sempre ouvimos falar que o lugar é lindo, mar limpo e transparente, fundo do mar bonito e muitos peixes para serem admirados. Marcamos o voo pela Gol: três horas e pouco até Recife e depois uma hora até a ilha. Ao embarcarmos, uma surpresa: o lanche habitual não é mais gratuito, é vendido. 12 reais para os sanduíches frios, 5 reais para batatas fritas, castanhas de caju e outras bobagens, e o mesmo para café, água mineral, refrigerantes e cerveja. Até aí os preços estão razoáveis. Já o copo de vinho nacional custa 15 e a dose de uísque Johnnie Walker 20, meio caro. Mas ficamos principalmente chocados com a quebra da tradição do lanche grátis. E se eles servirem um almoço ou jantar quente, quanto será que vão cobrar?

Aeroporto de Fernando de Noronha (Reprodução/Internet)
Chegando em Noronha, como eles chamam, fomos surpreendidos, ao entrar no saguão do aeroporto, com uma fila – alguém disse que tínhamos de preencher uma ficha e pagar uma taxa. Recebemos um formulário do tipo rotineiro, com nome, endereço, CPF, Identidade etc. etc. e quando chegou nossa vez na fila fomos cobrados quarenta e tantos reais por dia de estadia. No nosso caso eram cinco dias, quase duzentos reais por pessoa. Não conseguimos que ninguém explicasse o que era aquilo. Ao fim de um procedimento que durou vários minutos, com a funcionária, que não dizia nada, cortando o formulário em vários pedaços e o carimbando várias vezes, ela nos brindou com dois pedaços de formulário para cada um: um era para ser entregue à pousada, sem o quê não poderíamos ser aceitos. O outro era para ser entregue no aeroporto na hora de ir embora, sem o quê, em teoria, não poderíamos sair. Não entendi nada. Éramos cidadãos brasileiros, entrando numa região do estado de Pernambuco, como dizia um cartaz na parede, e estávamos sendo submetidos a um procedimento que me fez lembrar uma viagem à antiga União Soviética em 1985, antes da abertura.
Passeios
A ilha tem muitas praias, distantes umas das outras, e todos os amigos que já tinham estado lá recomendaram alugarmos um buggy para nos locomovermos. Fizemos isso desde o primeiro dia e nossa primeira escolha foi a praia da Baía dos Porcos, que se atinge através da praia da Cacimba do padre. A gente deixa o carro na Cacimba, assim nomeada porque um padre descobriu uma fonte de água doce ali há cem ou mais anos, anda um pouco pela praia e pega uma trilha para a Baia dos Porcos. A moça do estacionamento olhou para nossos pés, viu que estávamos com solas de borracha e disse que assim era OK – descalços era perigoso, os degraus da trilha são escorregadios.

Praia da Baía dos Porcos (Reprodução/Internet)
A trilha se resumia a uma tosca escada de degraus de pedra equivalente a três ou quatro andares subindo e outro tanto descendo. Depois começava o problema: um trecho de uns cem metros, no plano, coberto de rochas de formato irregular, de largura variando de 30 a 60cm, algumas planas, outras cortantes e inclinadas, às vezes para a esquerda, às vezes para a direita. As pessoas que se deram o trabalho de fazer a escada não pensaram em fazer um caminho nas pedras. Suponho que prevaleceu a obsessão de não mexer com a natureza. O fato é que era muito difícil a gente achar um caminho.
No hotel Fernanda, sempre otimista, tinha perguntado se estávamos calçados convenientemente e o rapaz da recepção olhou para minhas sandálias havaianas e disse que eram o ideal. Mentira. As pedras eram inclinadas, como já dito, e os pés dançavam dentro das havaianas, sem qualquer firmeza.N a ida tudo correu bem mas na volta em dado momento escorreguei, caí para trás sentado em um pedra que por sorte era plana senão eu poderia ter me machucado aí. O impulso da queda continuou e instintivamente joguei os cotovelos para trás para travar a queda e proteger a cabeça – deu certo, machuquei os cotovelos, com um corte profundo no direito, mas poupei a cabeça de um impacto que poderia ser grave. Me deu vontade de pôr uma placa no começo da trilha: “Não se recomenda para maiores de 60 anos” (ou talvez 50?). No dia seguinte soubemos pelo guia do novo passeio que acidentes nesse local acontecem com alguma frequência.
Na praia nadamos e mergulhamos um pouco com snorkel, vimos muitos peixinhos coloridos daqueles que vemos por toda parte em nosso litoral, mas nada de corais, que era o que tínhamos a esperança de ver. Na volta, após o tombo, desistimos de almoçar no restaurante pitoresco perto de onde tínhamos estacionado – eu estava ansioso por um banho, lavar o sangue e fazer curativos e voltamos para a pousada. Comemos por lá e passamos um fim de tarde meio melancólico. Como primeiro dia, não foi dos melhores.
Fonte:http://opiniaoenoticia.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Projeto Escola sem Partido é arquivado no Senado   *Projeto que visava coibir a liberdade intelectual e de ensino de docentes...